Com 33 anos de operação, incidente com Airbus A300 da Sterna completa 10 anos
Em 21 de outubro de 2016, um Airbus A300 cargueiro da Sterna Linhas Aéreas saiu da pista durante o pouso no Aeroporto Internacional dos Guararapes, em Recife. A ocorrência aconteceu após o colapso do trem de pouso dianteiro, provocando danos substanciais à aeronave
O avião era o Airbus A300B4-203 de matrícula PR-STN (MSN: 236), fabricado em 1983 e equipado com dois motores General Electric CF6-50C2. Na época do acidente, o cargueiro tinha aproximadamente 33 anos de operação desde sua fabricação.
Antes de chegar ao Brasil, a aeronave passou por diferentes companhias aéreas de vários países. Sua trajetória começou com a encomenda da grega Olympic Airways, mas o avião acabou não sendo entregue à empresa e passou a integrar a frota da norte-americana Pan Am.
Posteriormente, o A300 voou pela Carnival Air Lines, pela chilena Ladeco e pela turca Pegasus Airlines, além de retornar à Carnival em diferentes momentos. Já na Europa, operou pela belga European Air Transport, inclusive em operações associadas à DHL. Mais tarde, passou pela Air Contractors e pela Transcarga antes de receber a matrícula brasileira PR-STN e chegar à Sterna Linhas Aéreas.
O voo Sterna 9302 havia decolado do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, transportando carga postal com destino ao Recife. A aeronave pousou pela pista 18 do aeroporto pernambucano na manhã de 21 de outubro, por volta das 6h30, no horário local.
Durante a corrida após o pouso, o avião desviou para a direita e ultrapassou o limite lateral da pista, parando na área gramada. Nesse momento, o trem de pouso do nariz girou aproximadamente 90 graus para a esquerda e recolheu, deixando a parte dianteira da aeronave apoiada no solo.
Segundo informações preliminares divulgadas pelo BEA, com base na notificação das autoridades brasileiras, o comandante perdeu o controle direcional da aeronave durante a corrida de pouso, levando à saída de pista.
O relatório do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) detalha que o trem de pouso dianteiro colapsou em decorrência de fraturas nos mecanismos de direção, baixamento e travamento. A estrutura da aeronave foi comprometida na região de fixação do trem, e os motores também sofreram danos após a ingestão de detritos.
Os quatro ocupantes (três tripulantes e um passageiro) saíram ilesos. A aeronave, porém, sofreu danos substanciais e não voltou à operação comercial.
A Sterna Linhas Aéreas operava o transporte de cargas e tinha o PR-STN como sua única aeronave. Com a saída de pista e os danos sofridos pelo A300, a companhia perdeu o único avião que utilizava em suas operações.
Anos depois, o destino da estrutura remanescente da aeronave também mudou. Segundo consulta ao Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB), em 2024, a empresa Carvalheira Alimentos LTDA adquiriu integralmente a carcaça do avião.
